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Entenda como corpo de jovem que sofreu golpe e gravou vídeo chorando foi identificado pela falange

06/11/2026

Entenda como corpo de jovem que sofreu golpe e gravou vídeo chorando foi identificado pela falange

O corpo de José Luis da Costa Oliveira, que desapareceu em Guarujá (SP), após cair em um golpe durante a venda do próprio carro, foi identificado através da falange.

A informação foi confirmada ao g1 pela advogada Bianca Santiago, que representa amigos e familiares do jovem.

Ao g1, o perito legista Nelson Massini, que atua na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, explicou como funciona a identificação de um corpo através da falange dos dedos.

De acordo com ele, a impressão digital é a forma mais rápida e eficiente de identificar um cadáver, mas há ainda a possibilidade do DNA.

O corpo de José Luis da Costa Oliveira, o analista de sistemas de 25 anos que desapareceu em Guarujá, no litoral de São Paulo, após cair em um golpe durante a venda do próprio carro, foi identificado através da falange -- o tecido ou o osso que forma o esqueleto dos dedos. A informação foi confirmada ao g1 pela advogada Bianca Santiago, que representa amigos e familiares do jovem.

Natural do Pará (PA), José se mudou para a capital paulista a trabalho e desapareceu no dia 8 de outubro, após cair em um golpe durante a venda do próprio carro e viajar para o litoral de São Paulo. Antes da viagem, o analista de sistemas gravou um vídeo relatando a fraude (assista acima).

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O corpo do homem, em avançado estado de decomposição, foi encontrado no dia 22 de outubro, após moradores acionarem a Polícia Militar se queixando de um forte odor na Avenida General Rondon, no bairro Vila Alzira, em Guarujá.

Ao g1, o perito legista Nelson Massini, que atua na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, explicou como funciona a identificação de um corpo através da falange dos dedos. De acordo com ele, a impressão digital é a forma mais rápida e eficiente de identificar um cadáver.

Se há suspeita de que seja uma determinada pessoa, o perito afirmou que basta o profissional pegar a identidade dela para levantar as digitais de todos os dedos, que ficam armazenadas em um banco de dados.

"A impressão digital individualiza as pessoas. Basta um dedo para a gente conseguir a identificação", disse o especialista. "Pode ser apenas um fragmento, então o que conseguir ali de impressão digital, por menor que seja, a gente consegue", acrescentou.

Caso as dez falanges não estejam bem preservadas, há métodos para torná-las legíveis. Massini afirmou que é possível retirar a pele do corpo e fazer uma luva para colocar na própria mão e testar a digital. Se estiver desidratada, uma injeção de glicerina pode preencher o espaço do dedo.

Quando não é possível usar a digital, o perito disse que recorre à dentição, caso a pessoa tenha registros odontológicos para comparação. Em último caso, os ossos das falanges ou da perna podem ser usados para o exame de DNA.

"O DNA é um processo que demora para ficar pronto, antigamente demorava mais. Agora, em torno de uma semana a gente tem o resultado, mas uma semana para uma pessoa que está aguardando um parente é uma vida toda", finalizou.

Procurada pelo g1, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) não se manifestou sobre o caso.

Relembre o caso

O golpista, que não teve o nome divulgado, entrou em contato com José após o analista de sistemas anunciar a venda do carro nas redes sociais. Ele se ofereceu para intermediar a negociação e o jovem aceitou a proposta.

Uma compradora se interessou e tratou sobre a venda com o suspeito. Sendo assim, José transferiu o carro para a mulher. Ela depositou o valor da compra na conta do intermediador, que sumiu.

“A pessoa que comprou o carro depositou o valor de R$ 24 mil na conta desse golpista, e o José transferiu o carro para a pessoa que comprou. Então, ambos caíram num golpe”, explicou Bianca.

José gravou um vídeo garantindo que os compradores do carro não tinham envolvimento com o crime, pois pagaram pelo veículo. O conteúdo foi encontrado no computador dele, que estava desbloqueado.

Desaparecimento

Além do vídeo, a família teve acesso aos registros de viagens feitas por José por meio de aplicativos. Os dados ajudaram a reconstituir o trajeto percorrido pelo jovem. Confira a linha do tempo:

Viagem via aplicativo:José solicitou uma corrida via aplicativo momentos após transferir o carro para a compradora, no dia 8 de outubro. O motorista da corrida revelou que o jovem estava chorando no trajeto e propôs pagar R$ 700 para ser levado até Santos em uma viagem particular.Passagem pelo apartamento:O motorista aceitou a proposta. Antes de viajar, porém, José passou pelo apartamento dele, no bairro Bela Vista, em São Paulo. Câmeras registraram que ele permaneceu no imóvel por cerca de oito minutos e saiu com outra roupa;Parada em um bar:O motorista deixou José em um bar no bairro Boqueirão, em Santos. Imagens de monitoramento registraram o jovem sozinho no estabelecimento;Corrida de R$ 500 até Guarujá:José solicitou uma viagem por aplicativo até a balsa. Após entrar no veículo, ofereceu R$ 500 ao motorista para levá-lo a Guarujá por fora da plataforma;Relato de tristeza:Segundo as advogadas, o motorista contou que José estava embriagado e triste por ter caído no golpe. Durante o trajeto, o jovem afirmou que queria tomar um banho de mar;Último paradeiro conhecido: O motorista deixou José em frente a um condomínio em Guarujá. A família tentou obter imagens das câmeras do local, mas as gravações já não estavam disponíveis;Mensagem à ex-namorada:Na noite do desaparecimento, José enviou uma mensagem a uma ex-namorada perguntando se ela estava noiva. Ela respondeu que sim e José disse que ela não o veria mais. Depois disso, a mulher não conseguiu mais contato com ele.

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