Chegou a 4 o número de mulheres que denunciam um médico por suspeita de abuso em Caaporã, na Paraíba. A Justiça manteve a prisão preventiva do investigado.
O médico foi preso em flagrante nesta quarta-feira (4) após denúncia de uma jovem de 20 anos. Funcionários da unidade de saúde confirmaram comportamentos inadequados.
A Prefeitura de Caaporã solicitou o afastamento cautelar do profissional nesta quinta-feira (5). O Conselho Regional de Medicina abriu sindicância para investigar a conduta.
O número de mulheres que denunciaram um médico suspeito de abuso sexual durante consultas em Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba, chegou a quatro. As vítimas já prestaram depoimento à Polícia Civil, sendo duas na quarta-feira (4) e outras duas nesta quinta-feira (5).
De acordo com o delegado Túlio Lustosa Cantarelli, responsável pelo caso, outras mulheres também devem procurar a delegacia nos próximos dias. Uma delas já está com depoimento agendado para a próxima segunda-feira (9). A polícia estima que pelo menos outras duas ou três possíveis vítimas ainda possam relatar situações semelhantes.
A Justiça decidiu manter a prisão preventiva do médico após audiência de custódia nesta quinta-feira (5). Ele havia sido preso em flagrante e permanece detido enquanto as investigações continuam. O nome do médico não foi divulgado.
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Segundo o delegado, uma das mulheres ouvidas na quinta-feira apresentou áudios gravados durante consultas com o profissional. Os arquivos foram entregues à Polícia Civil e ainda serão analisados.
"Ela chegou a voltar em outras vezes na consulta porque precisava ser atendida pelo médico e gravou um áudio. Ela cedeu vários áudios para a gente, mas esses áudios ainda vão ser analisados", explicou Túlio Lustosa Cantarelli.
Como começaram as denúncias
O médico foi preso em flagrante, na tarde desta quarta-feira (4), suspeito de praticar atos libidinosos contra pacientes durante atendimentos. O médico atendia em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na zona rural do município de Caaporã.
As investigações tiveram início após uma paciente de 20 anos procurar a delegacia e denunciar que teria sido vítima de conduta sexual inadequada durante uma consulta realizada na manhã desta quarta-feira.
Segundo o relato, o médico teria utilizado a justificativa de procedimentos clínicos para realizar toques e manipulações íntimas sem finalidade médica, além de fazer questionamentos de cunho sexual durante o atendimento.
Após a denúncia, equipes da Polícia Civil iniciaram diligências na unidade de saúde e identificaram outros relatos envolvendo a conduta do profissional. Uma segunda paciente, de 44 anos, também procurou a polícia e relatou ter sido submetida a situações semelhantes durante atendimento anterior no mesmo local.
Funcionários da unidade também foram ouvidos e relataram comportamentos inadequados e situações de constrangimento atribuídas ao suspeito. Assim, o médico foi preso em flagrante. Em depoimento, ele alegou que os contatos tiveram finalidade exclusivamente diagnóstica e assistencial.
Para subsidiar as investigações, foram requisitados exames periciais ao Instituto de Polícia Científica (IPC), por meio do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (NUMOL), além de solicitadas as imagens do sistema de monitoramento interno da unidade de saúde.
A Prefeitura de Caaporã informou nesta quinta-feira (5) que solicitou o afastamento cautelar do médico. Em nota, a gestão afirmou que a medida tem caráter preventivo e que pediu à empresa responsável pela contratação do profissional que providencie a substituição dele.
Procedimento do CRM-PB
O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) abriu uma sindicância para investigar a conduta do médico.
O procedimento foi instaurado na quarta-feira (4) e busca apurar se houve infração ao Código de Ética Médica. A investigação vai reunir documentos, analisar os relatos e verificar se existem indícios de autoria e materialidade das possíveis infrações.
Segundo o CRM-PB, caso um processo ético-profissional seja aberto, serão garantidos ao médico o direito à ampla defesa e ao contraditório. Poderão ser ouvidos o profissional investigado, as pacientes e testemunha.



