A Polícia Militar (PM) cancelou a apresentação gratuita do cantor Natanzinho Lima dentro da favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, previsto para a tarde deste sábado (7).
O cancelamento aconteceu depois que o palco e toda a estrutura já estavam montados e o artista já tinha ido no dia anterior ao local fazer os testes de som na noite da sexta-feira (6).
Agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, que estiveram no local logo pela manhã, comunicaram à produção do cantor que a gravação do DVD com participação de Wesley Safadão não poderia acontecer no Campo do Palmeirinha, dentro da comunidade, em razão da falta de segurança para o público (veja vídeo acima).
Segundo a PM, entre os documentos que não haviam sido apresentados no ato da vistoria era o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que atesta o cumprimento das exigências de segurança contra incêndio e situações de emergência.
O certificado é emitido pelo Corpo de Bombeiros após uma vistoria para verificar as condições de segurança do local. Os PMs alegaram que a estrutura do campo apresentava problemas de segurança para o público esperado para o evento.
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A proibição revoltou parte dos fãs do canto que estavam já no local desde às 09 horas da manhã, aguardando a apresentação que aconteceria somente às 15h.
As lideranças comunitárias da favela dizem que outros eventos gratuitos semelhantes já aconteceram na comunidade sem a necessidade do documento que agora foi exigido pela PM e falam em truculência da gestão do governardo Tarcísio de Freitas (Republicanos) contra a comunidade.
Eles também afirmam que a Prefeitura de SP já havia dado uma autorização para o evento deste sábado (7).
O g1 entrou em contato com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para entender que tipo de autorização foi dada para o evento, mas ainda não recebemos retorno.
'Público acima do esperado'
Em nota publicada nas redes sociais, a produção do cantor alegou que o cancelamento foi por conta do “público acima do esperado” e esquema de segurança não era suficiente para a quantidade de pessoas.
"A proposta do evento é proporcionar um dia de confraternização e harmonia, em que as pessoas possam aproveitar o show. Para isso, é fundamental que tudo transcorra de forma pacífica e, principalmente, com a segurança necessária para todos”, disse a nota.
“Apesar de toda a estrutura montada, a repercussão do evento gerou um fluxo de pessoas acima do esperado, e a nossa maior preocupação é com o bem-estar e a segurança de todos. Desse modo, a produção decidiu adiar a gravação para que o encontro aconteça com toda a tranquilidade que a comunidade merece”, disse.
A produção do cantor não programou uma nova data e pediu desculpas pela expectativa criada entre os moradores da favela.
“Pedimos desculpas a todos que se programaram para estar com a gente. Nosso compromisso com Paraisópolis continua e a nova data será anunciada em breve”, disse os representantes do cantor.
Nas redes sociais e também no local do show, os moradores se revoltaram com o cancelamento horas antes da apresentação e gritavam palavras de ordem do tipo: “pobre também quer ter direito à cultura e o lazer”.
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Por conta das manifestações de revolta, o próprio cantor também se desculpou e disse que é um sonho dele fazer um show para a comunidade de Paraisópolis. Ele se comprometeu a marcar nova data para os fãs que moram na favela.
"A gente se preparou. Colocamos o som nas ruas e telões para as crianças também assistirem. Dividimos o som pelas ruas, deixamos tudo certinho. Já fizemos o 1° evento, que foi um sucesso, e tínhamos certeza de que o segundo também seria um sucesso. Mas pediram para cancelar, então vamos remarcar uma nova data. (...) O motivo do cancelamento foi que estamos aqui para obedecer às leis e cumprir o que é pedido”, disse ele (veja vídeo acima).
O que disse a Polícia Militar
A PM também publicou nota nas redes sociais justificando o cancelamento e disse que priorizou o “direito à vida” e a segurança dos moradores locais.
“A comunidade tem o direito de viver a cultura, desfrutar do lazer e exercer a liberdade de se reunir. São direitos fundamentais que devem ser respeitados, valorizados e assegurados a todos. Entretanto, existe um direito que deve ser preservado acima de qualquer circunstância: o direito à vida”, disse o 16º Batalhão da PM.
“A segurança pública é dever do Estado e responsabilidade de todos. Preservar vidas significa agir preventivamente, identificar riscos e adotar medidas que garantam a integridade física da população”, disse.
“A presença policial não representa uma oposição à comunidade. Pelo contrário, representa o compromisso permanente com sua proteção, seu bem-estar e sua segurança. A presença policial não é contra a comunidade. É pela comunidade”, completou a PM (veja abaixo).




