Grupo fez live agredindo e roubando engenheiro que se afastou de ato pró-Lula
A doação de órgãos do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, morto após ser roubado e agredido ao se afastar de um ato político em Santos, no litoral de São Paulo, salvou pelo menos quatro vidas, segundo a família. Ao g1, o pai dele contou que o filho sempre quis fazer o bem.
"Ele era uma pessoa tão boa que perdeu a vida, mas salvou quatro", afirmou o pai, Marcelo Rodrigues da Rocha.
A vítima participou de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Lula (PT) na madrugada do dia 24 de outubro. Ele se afastou do evento para ir ao banheiro, quando foi agredido e roubado por ao menos sete suspeitos, que fizeram uma live durante o crime (veja acima). O jovem chegou a ser socorrido, mas teve a morte cerebral confirmada dias depois.
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A família autorizou a doação de órgãos, respeitando o desejo de Marcelo, que foi enterrado na quarta-feira (28), no Cemitério Congonhas, no Jardim Marajoara, na Zona Sul da capital paulista.
Segundo o pai, a família não impôs restrições quanto aos órgãos que seriam doados e, sendo assim, quatro foram considerados úteis para diminuir a fila de transplantes: pâncreas, rim, fígado e córneas.
"É muito emocionante saber que você fez bem para mais quatro pessoas apesar do mundo ser tão cruel. Existe tanta gente ruim nesse mundo, mas eu acho que a maioria é boa. [...] Graças a Deus, meu filho conseguiu salvar mais quatro pessoas, quatro vidas", afirmou.
Marcelo de Oliveira Rocha morreu aos 28 anos, após ser agredido
Reprodução/Redes sociais
Quem era a vítima
Marcelo ingressou na universidade por meio do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar (BICT-Mar) em 2017. O jovem se formou em 2021 e, no mesmo ano, ingressou no curso de Engenharia Ambiental da universidade. Ele concluiu a graduação em 2023 e, três anos depois, retornou à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para o mestrado.
O pai dele, Marcelo Rodrigues da Rocha, contou que a família mora na capital paulista, mas o filho se mudou para a Baixada Santista para estudar. Na época, ele morou em um apartamento alugado em Santos.
Marcelo de Oliveira Rocha fazia mestrado em Ecologia Marinha
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Após a formação em Engenharia, o jovem voltou a São Paulo, onde iniciou carreira. Já em 2026, ele ingressou novamente na Unifesp de Santos, desta vez, com o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira. Rocha disse que o filho dividia a rotina entre a capital e o litoral paulista, onde ficava na casa de amigos.
Dentro da família, Marcelo era conhecido pela bondade e alegria. "Era uma pessoa pura de coração, não tinha maldade nenhuma", afirmou o pai. Ele contou que o filho sempre se mantinha brincalhão e extrovertido, independentemente da circunstância. "Poderia estar triste, sofrendo, mas para o mundo era sempre uma pessoa", finalizou.
Marcelo de Oliveira Rocha foi agredido após se afastar de um ato político pró-Lula em Santos
Redes sociais
Estágios
A orientadora de Marcelo contou que o estudante tinha planos de fazer estágios científicos na Alemanha e na França, com perspectivas de financiamento internacional.
"Para o estágio na França, já havia sido pré-selecionado em um edital de apoio financeiro. Marcelo viveu a vida acadêmica em sua plenitude, com entusiasmo, generosidade e dedicação à ciência", afirmou.
Unifesp suspende aulas em luto pela morte do estudante Marcelo de Oliveira Rocha
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Suspeitos
Ao todo, oito pessoas foram identificadas pela Polícia Civil, sendo seis adolescentes e dois adultos. Um dos adultos, apontado como responsável pela conta no TikTok usada para transmitir as agressões ao vivo, teve a prisão temporária decretada.
Na terça-feira (27), dois adolescentes, de 14 e 17 anos, já haviam sido apreendidos. Um terceiro adolescente foi apreendido na quarta-feira (28).
O adolescente mais velho luta boxe e é considerado suspeito de ter dado o soco que derrubou Marcelo. Ele foi localizado em Itariri (SP), após ter fugido para a casa de uma avó.
Engenheiro é agredido e roubado por grupo após se afastar de ato pró-Lula
A Polícia Civil trabalha para localizar os demais suspeitos. Para os investigados que ainda não foram encontrados, foram expedidos mandados de internação provisória, no caso dos adolescentes, e de prisão temporária, no caso dos adultos.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o caso é investigado como latrocínio porque o celular e outros pertences de Marcelo foram levados pelos agressores.
Grupo fez live agredindo e roubando engenheiro que se afastou de ato pró-Lula em Santos, SP
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