Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, foi morta a tiro na terça-feira (27), em Rifaina (SP). O suspeito é o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos.
O irmão da vítima, Geovane Santana, descreveu-a como honesta e trabalhadora. Ele afirmou que ela "nunca precisou de nada de ninguém" e ajudava a família.
Priscila viajou para Rifaina para devolver uma caminhonete ao pecuarista. Ao chegar, Bolelli exigiu a devolução de um celular e desconfiou de um relacionamento dela.
Uma amiga relatou que Priscila sofria ameaças e agressões anteriores de Bolelli. O namorado da jovem, Samuel Ramos, disse que o pecuarista contratou um detetive.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Bolelli, que está foragido. Ele já foi condenado anteriormente por descumprir medida protetiva de uma ex-companheira.
O irmão de uma jovem de 24 anos assassinada com um tiro em Rifaina (SP) descreveu a irmã como uma mulher honesta e trabalhadora. Em entrevista à EPTV nesta quinta-feira (29), ele contou que ela começou a trabalha com 16 anos como bartender, abriu uma empresa de marketing digital e ajudava a família.
“Nunca precisou de nada de ninguém”, afirmou Geovane Santana, irmão de Priscila Lacerda Custodio, natural de Perdizes (MG). Ele é uma das testemunhas do crime.
Priscila foi baleada na noite de terça-feira (27), às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), e morreu. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito é o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem ela teve um relacionamento casual. De acordo com testemunhas, ela queria encerrar a relação.
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Bolelli fugiu depois do disparo, segundo o boletim. Ele é investigado por feminicídio, e a Justiça decretou a prisão preventiva dele na quarta-feira (28). Até a última atualização desta reportagem, ele não havia sido encontrado.
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A defesa de João disse ao g1, na quinta-feira (29) que ainda não havia tido contato com ele.
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Como o irmão descreve Priscila
“A gente veio do pouco, eu também vim, sempre fomos trabalhador”, disse Geovane. Segundo ele, Priscila começou a trabalhar como bartender de drinks.
Depois, ela abriu uma empresa de marketing digital e passou a fazer a cobertura de eventos da cidade, de amigos e de cantores, de acordo com o irmão.
“Ela mais cuidava de mim do que eu cuidava dela”, disse Geovane, que também afirmou que a irmã ajudava a família. Priscila era a caçula entre os irmãos, segundo ele.
Geovane negou que a irmã tivesse ganhado a caminhonete que levou a Rifaina. Segundo o boletim de ocorrência, ela foi devolver o veículo ao pecuarista.
“Eu amo ela. Uma pessoa maravilhosa que não merecia o que aconteceu”, afirmou o irmão.
O que se sabe sobre o crime
Segundo o boletim de ocorrência, Priscila saiu de Perdizes na terça-feira (27) para devolver a caminhonete ao pecuarista. O irmão dirigia o veículo, e ela seguia em outro carro, com uma amiga que não sabia o caminho.
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Quando chegaram à entrada de uma propriedade rural, em Rifaina, Bolelli apareceu em um carro branco. De acordo com os depoimentos das duas testemunhas, outras pessoas chegaram em veículos diferentes, mas não foram identificadas.
O irmão contou à polícia que ouviu Priscila dizer que queria ir embora e que não desejava mais manter o relacionamento. O boletim registra que o pecuarista exigiu a devolução de um celular que havia entregado a ela, e que ela respondeu que só devolveria o aparelho depois de receber de volta o próprio telefone.
A amiga disse que o pecuarista também questionou uma viagem de Priscila a Sacramento (MG) e a acusou de estar se encontrando com outro homem.
Segundo as testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou contra Priscila. Depois, de acordo com os depoimentos, apontou a arma para o irmão dela, que correu para se proteger.
O irmão socorreu a jovem, que foi levada ao hospital de Rifaina, mas morreu. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.
O relacionamento com o pecuarista
Em depoimento à polícia, a amiga que acompanhou Priscila disse que a jovem mantinha um relacionamento casual com Bolelli desde julho deste ano.
Segundo a amiga, Priscila contou que o pecuarista desconfiava que ela estivesse envolvida com outro homem e dizia que não permitiria que ela voltasse a Perdizes. Ainda de acordo com o relato, ele ameaçou dar um tiro na cabeça dela e contratou pessoas para monitorá-la.
A amiga também afirmou que Priscila relatou ter sido agredida pelo pecuarista na sexta-feira (23) e que viu as lesões. Por causa das ameaças, orientou a jovem a não ir sozinha a Rifaina.
Geovane contou à EPTV que a irmã voltou de Rifaina para Perdizes na quinta-feira (22), na caminhonete do pecuarista. Segundo ele, só depois do crime soube de relatos de que ela havia sido agredida e ameaçada antes de sair de lá.
Priscila namorava Samuel Ramos, de 26 anos. Em entrevista ao g1, ele disse que os dois estavam juntos desde junho e moravam havia cerca de um mês em Perdizes. O casal se aproximou por meio da mãe dele, a psicóloga Fabyana Oliveira, amiga e cliente da jovem, e planejava se mudar para Uberlândia (MG).
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Segundo Samuel, Priscila já tinha encerrado os encontros com o pecuarista antes de os dois se conhecerem, mas Bolelli não aceitava que ela se relacionasse com outra pessoa. Ele afirmou que o pecuarista chegou a contratar um detetive para segui-la.
“Ele ameaçava ela, dizia que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém”, disse o namorado.
O delegado Fábio Branquinho disse que os dois estavam em desacordo sobre o desfecho do relacionamento.
Linha do tempo
2018 a 2022: o pecuarista é preso e, depois, condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.Junho de 2026: Priscila e Samuel Ramos começam a namorar, segundo ele.Julho: começa o relacionamento casual de Priscila com o pecuarista, segundo o depoimento da amiga.Cerca de um mês antes do crime: Priscila e Samuel passam a morar juntos em Perdizes, segundo ele.Quinta-feira (22 de outubro): Priscila volta de Rifaina para Perdizes na caminhonete do pecuarista, segundo o irmão.Sexta-feira (23): data da agressão relatada por Priscila, segundo a amiga.Terça-feira (27): Priscila vai a Rifaina com o irmão e a amiga para devolver a caminhonete. À noite, é baleada e morre.Quarta-feira (28): a Justiça decreta a prisão preventiva do pecuarista. Priscila é velada e sepultada em Perdizes.Quinta-feira (29): até a última atualização desta reportagem, o suspeito não havia sido encontrado.
Histórico do suspeito
Em junho de 2018, Bolelli foi preso preventivamente por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira. Ficou preso por seis dias e foi solto depois de pagar fiança.
Em dezembro de 2021, a Justiça de Franca (SP) o condenou a três meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, por descumprir a medida. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação, e a decisão se tornou definitiva em maio de 2022.
A condenação foi por descumprimento de medida protetiva. O caso atual ainda está em investigação.
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