O assassinato de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da mulher dele e da empregada doméstica do casal chocou Brasília em 2009 e deu início a uma investigação marcada por prisões, mudanças de versão e acusações de tortura.
Anos depois, um dos condenados pelo crime foi considerado inocente após passar 14 anos preso. A filha do casal, acusada de mandar matar os pais e condenada a mais de 60 anos de prisão, também teve a sentença anulada.
O crime da 113 sul é o 19º episódio da série "História do Crime", que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do História do Crime, para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/0/L/cAqH4ITvO3s4ATmMlkiw/crd-caso-villela-adriana.1-frame-1738.jpeg)
Relembre o caso
As vítimas eram José Guilherme Villela, advogado que havia sido ministro do TSE, a mulher dele, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, e Francisca Nascimento, que trabalhava como doméstica para o casal.
José Guilherme e Maria foram vistos pela última vez em 28 de agosto de 2009, uma sexta-feira, quando trabalharam normalmente no escritório de advocacia que mantinham em Brasília.
Como não deram notícias durante o fim de semana e não apareceram para trabalhar na segunda-feira, uma neta do casal decidiu ir até o apartamento deles, na 113 Sul, área nobre da capital federal.
Com a ajuda de um chaveiro, ela entrou no imóvel e encontrou os três mortos. Os corpos já estavam em estado de decomposição e apresentavam sinais de violência. Não havia sinais de arrombamento.
Segundo informações divulgadas durante a investigação, os assassinos teriam permanecido por mais de duas horas no apartamento, onde teriam trocado as roupas sujas de sangue, eliminado provas e procurado dinheiro.
Fontes da Secretaria de Segurança afirmaram, na época, que cerca de US$ 1,5 milhão foi levado.
Os primeiros meses da investigação foram conturbados. Cerca de três meses depois do crime, três homens foram presos.
A delegada Martha Vargas, que inicialmente comandava o caso, chegou aos suspeitos depois de ser procurada por Rosa Maria Jacques – que se apresentava como vidente e dizia ter recebido “do além” a missão de ajudar a polícia.
Os presos chegaram a assumir o crime, mas voltaram atrás e afirmaram que haviam confessado após serem torturados. Martha foi posteriormente exonerada do cargo de chefia e presa por tentar obstruir as investigações. Os três suspeitos foram libertados e inocentados.
A polícia também passou a investigar Adriana Villela, filha de José Guilherme e Maria. A suspeita divulgada inicialmente era de que os assassinatos teriam sido cometidos a mando dela por causa de desavenças com os pais e de um patrimônio avaliado em R$ 10 milhões.
Adriana sempre negou participação. Pouco mais de um ano depois do crime, com a investigação já sob responsabilidade de outro delegado, a polícia chegou a Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio.
Ele confessou participação e disse que decidiu roubar o casal depois de pedir emprego ao ex-ministro e não gostar da resposta recebida. Na ocasião, Leonardo negou que alguém tivesse encomendado o crime.
O sobrinho dele, Paulo Cardoso Santana, também foi preso. Um terceiro homem, Francisco Mairlon Aguiar, acabou envolvido no caso depois de ser apontado por Leonardo como participante do crime.
Ao longo da investigação, porém, as versões mudaram.
Leonardo e Paulo afirmaram que Adriana os havia contratado para matar os pais e colocaram Francisco Mairlon na cena do crime. Mais tarde, Paulo disse que havia mentido, afirmou que fora torturado e declarou que nem Adriana nem Francisco tinham participação nos assassinatos.
Francisco, que chegou a confessar o crime, foi posteriormente considerado inocente e libertado depois de passar 14 anos preso.
Leonardo foi condenado a 60 anos de prisão em 2013, e Paulo recebeu uma pena de 62 anos em 2016. Adriana, apontada como mandante do triplo assassinato, foi condenada a mais de 60 anos de prisão, em segunda instância, em 2023.
Em setembro de 2025, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça anulou a condenação. A defesa alegou cerceamento de defesa porque parte dos depoimentos obtidos pela polícia só teria sido apresentada aos advogados durante o julgamento.
Com a decisão, o processo contra Adriana voltou à fase de instrução. Ela continua ré, mas responde aos processos e recursos em liberdade.
O caso da 113 Sul, que começou com três corpos encontrados dentro de um apartamento em Brasília em agosto de 2009, atravessou mais de uma década entre confissões retiradas, acusações de tortura, mudanças nas versões dos envolvidos, a prisão de um inocente e a anulação da condenação da mulher apontada como mandante.



