Os gêmeos João Guilherme e Pedro Henrique Teixeira, autistas de 18 anos, realizaram o Enem pela primeira vez neste domingo (8) com atendimento especializado em Porto Velho.
Acompanhados pela mãe, os estudantes do 3º ano do ensino médio têm interesse em engenharia. A família busca novas oportunidades profissionais e acadêmicas.
O Inep garante acessibilidade para pessoas com Transtorno do Espectro Autista no Enem 2026. A medida visa assegurar igualdade durante o exame.
Os recursos incluem acréscimo de 60 minutos na prova e auxílio profissional. A redação também recebe uma avaliação diferenciada das particularidades linguísticas.
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João Guilherme Teixeira e Pedro Henrique Teixeira, ambos de 18 anos, participam pela primeira vez do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (8), em Porto Velho. Os irmãos gêmeos têm Transtorno do Espectro Autista (TEA) e fazem a prova com atendimento especializado.
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Alunos do 3º ano do ensino médio, eles foram acompanhados pela mãe, Rosiane Teixeira, de 40 anos, até o local de aplicação. Ao g1, ela contou que os filhos estão empolgados para realizar o exame.
Nas últimas semanas, os irmãos participaram de aulões promovidos pela escola e segundo a mãe, as áreas que mais despertam o interesse deles estão ligadas à engenharia.
““Eles gostam muito de mecânica e de computadores. Eu falei para eles que, quando terminarem a escola, podem fazer um curso de TI para se aprimorar no que já fazem”, explica
Rosiane diz que o momento representa uma conquista e uma oportunidade de preparar os filhos para os próximos desafios. A família acredita que a experiência com o Enem pode contribuir não apenas para o ingresso no ensino superior, mas também para a realização de cursos profissionalizantes e a participação em concursos públicos.
“Eu estou muito ansiosa. É a primeira vez que eles estão fazendo a prova, e a gente tentou estudar bastante em casa, juntos. Vamos ver o que vai ser aqui. Que Deus abençoe, que dê tudo certo para eles e para todos os outros que estão aqui para fazer a prova também”, comentou.
João Guilherme falou sobre a expectativa para o primeiro Enem. Ele admitiu que estava bastante nervoso, mas destacou que é importânte de participar do exame, mesmo sem ter definido qual curso pretende seguir.
“A ansiedade é muito alta para fazer a prova, meu deus do céu, é a minha primeira vez fazendo a prova do Enem”, diz João.
Já Pedro Henrique revelou que deseja ingressar no mercado de trabalho e afirmou que a prova representa uma oportunidade para buscar novos caminhos.
"Eu vou conseguir uma chance", destaca Pedro.
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm direito a atendimento especializado durante o Enem 2026. A previsão está na cartilha do participante com TEA, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Segundo o documento, a medida considera as particularidades de cada participante e busca garantir condições de igualdade e acessibilidade durante a realização do exame.
Entre as possibilidades oferecidas estão o acréscimo de 60 minutos em cada dia de prova, auxílio de um profissional para leitura das questões e apoio para transcrição das respostas e da redação.
A cartilha também prevê uma avaliação diferenciada da redação. Nesse caso, são consideradas as particularidades linguísticas de pessoas com TEA na modalidade escrita da língua portuguesa.
Segundo o documento, nessa avaliação podem ser observadas dificuldades na organização das ideias, na interpretação de expressões figuradas, na construção de argumentos e no uso de regras gramaticais. A cartilha destaca que essas características não devem ser automaticamente consideradas falta de capacidade.
O documento ressalta ainda que o autismo se manifesta de diferentes formas e que cada pessoa tem habilidades e necessidades de suporte próprias.
Por isso, os recursos de acessibilidade são definidos conforme as necessidades de cada participante. O objetivo, segundo a cartilha, é proporcionar uma experiência mais inclusiva e uma avaliação justa.



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