A ex-bancária Vanessa Gonçalves Miranda confessou ter desviado dinheiro de idosos em Miguelópolis. Ela alegou sobrecarga de trabalho e cobrança de metas do banco.
A polícia indiciou Vanessa e seu companheiro, Adilson Coelho de Paula, por furto qualificado e lavagem de dinheiro. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público.
As investigações apontam movimentações superiores a R$ 2 milhões. Os desvios geraram prejuízos de pelo menos R$ 900 mil para 7 clientes entre 2024 e 2026.
Demitida por justa causa, Vanessa negou sofrer de compulsão por jogos de azar. O dinheiro subtraído era reinserido na economia através de apostas online.
Adilson negou envolvimento nos desvios. A polícia informou que o banco Santander colabora com as investigações e reembolsará todas as vítimas afetadas.
Presa desde setembro, a ex-funcionária de uma agência do Santander em Miguelópolis (SP) suspeita de desviar dinheiro de contas de clientes idosos confessou os crimes, segundo a Polícia Civil. Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, alegou que agiu sobrecarregada pelo excesso de trabalho e pela imposição de metas do banco.
A polícia concluiu o inquérito e indiciou Vanessa e o companheiro dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, por furto qualificado e lavagem de dinheiro. De acordo com a corporação, os dois também já foram denunciados pelo Ministério Público e continuam presos.
Segundo a investigação, a então bancária fez empréstimos, transferências, saques e depósitos que ultrapassaram R$ 2 milhões em movimentações e causaram prejuízo de pelo menos R$ 900 mil aos correntistas. Cerca de sete clientes foram lesados diretamente entre 2024 e julho de 2026.
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Quando o casal foi preso, a polícia havia informado movimentação indevida de cerca de R$ 2 milhões. Ao concluir o inquérito, a corporação diferencia o total movimentado, acima de R$ 2 milhões, do prejuízo causado aos correntistas, de pelo menos R$ 900 mil.
O g1 procurou a defesa de Vanessa mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Confissão
Ainda segundo a polícia, Vanessa negou a versão apresentada anteriormente pelo advogado que a defendia na época, de que ela sofria de ludopatia, como é chamada a compulsão por jogos de azar.
Funcionária da agência havia mais de 12 anos, ela foi demitida por justa causa pelo banco, de acordo com a corporação.
Bets e sacolas com documentos
A investigação concluiu que Vanessa, com a ajuda do companheiro, reinseria o dinheiro na economia por meio de apostas online, as chamadas bets. O casal está junto pelo menos desde 2023, segundo a polícia.
Ainda de acordo com a corporação, Adilson usou valores subtraídos e ajudou a ocultar instrumentos do crime. Ele foi visto levando sacolas com documentos e informações de clientes a mando de Vanessa.
À polícia, Adilson negou participação nos crimes. Ele disse que não sabia o que havia nos objetos que retirou da agência e que não desconfiava de que a companheira fazia os desvios.
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Reembolso das vítimas
Segundo a Polícia Civil, o Santander colaborou com a investigação e informou que os clientes serão reembolsados pelos prejuízos.
Em setembro, a sobrinha de uma idosa de 78 anos que teve cerca de R$ 300 mil retirados da conta contou à EPTV, afiliada da TV Globo, que a tia continuava pagando as parcelas de um empréstimo que a família não reconhece e ficava com R$ 1 mil por mês para se manter.
O caso foi encaminhado à Justiça. Se a denúncia do Ministério Público for aceita, Vanessa e Adilson passam a responder como réus por furto qualificado e lavagem de dinheiro. Se condenados, podem receber penas que ultrapassam 40 anos em regime fechado, segundo a polícia.
Relembre o caso
Vanessa e Adilson foram presos preventivamente em 28 de setembro. A investigação começou depois que clientes da agência registraram boletins de ocorrência por não reconhecerem movimentações nas próprias contas. Segundo a polícia, a então bancária se aproveitava da confiança de correntistas idosos e vulneráveis para movimentar e sacar valores.
Adilson passou por audiência de custódia no dia seguinte, teve a prisão mantida e foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franca (SP).
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