Notícia

'Ele era muito ciumento', diz filha mais velha de mulher morta a facadas pelo marido no interior de SP

23/10/2026

'Ele era muito ciumento', diz filha mais velha de mulher morta a facadas pelo marido no interior de SP

Elisângela Aparecida Matheus foi morta a facadas pelo marido nesta quarta-feira (21) em São José do Rio Preto (SP). O suspeito fugiu descalço após o crime.

A filha mais velha relatou que o relacionamento do casal era conturbado. O suspeito cometeu o crime após a vítima não atender a uma ligação.

O homem trancou-se no quarto com a esposa. A filha de 15 anos arrombou a porta e tentou defendê-la, mas a mãe não resistiu.

A polícia informou que o corpo de Elisângela apresentava ao menos 3 facadas. O casal havia se casado há cerca de 1 mês e meio.

A pedagoga e filha mais velha da mulher de 51 anos, que foi morta na frente da filha de 15 anos, em São José do Rio Preto (SP), na tarde de quarta-feira (21), diz que a relação entre a vítima e o suspeito sempre foi conturbada.

Elisângela Aparecida Matheus foi esfaqueada por Hiago Moreira Schnornberger, de 32 anos. Ele se entregou à polícia nesta quinta-feira (22). Em entrevista à TV TEM, Milena Cristina Giuliete, filha mais velha da vítima, disse que o padrasto era ciumento.

📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp

Milena contou que foi avisada sobre o crime pela irmã mais nova, quando ainda estava no trabalho. Além do casal e da adolescente, a filha da pedagoga, uma bebê de um ano e 11 meses, também estava na casa onde o assassinato aconteceu.

A pedagoga diz que havia sido acompanhada por Elisângela quando levou a criança para uma consulta com a nutricionista. Segundo Milena, o padrasto ficou nervoso e matou sua mãe porque a vítima ficou incomunicável quando estava no consultório.

"Ela [Elisângela] estava sem internet. Além disso, tem momentos em que a gente precisava conversar com a médica. Acabou que ela ficou comigo, já que cuidava da minha nenê e podia falar um pouco da alimentação dela. Ela foi muito importante nesse dia da consulta, e acho que foi nesse momento que ela não atendeu", explicou Milena.

Feminicídio

Após o fim da consulta e a chegada do padrasto à casa da família, o casal entrou para um dos quartos e a porta foi trancada. A adolescente disse à irmã que ouviu Hiago chorando e implorando para que Elisângela reconsiderasse a decisão de terminar o relacionamento, situação que já havia se repetido outras vezes.

Depois disso, iniciaram-se as agressões, e foi quando a filha mais nova ouviu os gritos da mãe. Ela arrombou a porta do quarto e, ao presenciar a violência, tentou impedir o ataque contra Elisângela, mas não conseguiu conter Hiago.

Após assassinar a esposa, o suspeito fugiu a pé e deixou a faca na entrada da residência. Uma câmera de segurança registrou o momento da fuga. Assista acima.

A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada pela adolescente. Os socorristas tentaram reanimar Elisângela por cerca de 30 minutos, mas ela não resistiu. Devido ao estado emocional abalado, Milene afirmou que precisou medicar a irmã.

Crises de ciúmes e agressões

Milene relembrou à reportagem que, além de ser ciumento, Hiago já havia ameaçado sua mãe em outras situações. O casal tinha formalizado a união há cerca de um mês.

Ele era muito ciumento. Depois que veio morar aqui com a minha mãe, não a deixava mais ter rede social sozinha — tinha que ser com a supervisão dele. Olhava o celular da minha mãe todos os dias. Tudo o que eu conversava com ela, coisas pessoais, ele olhava, porque eu sabia que era ele quem respondia, disse Milena.

A pedagoga afirmou também que já houve uma agressão anterior entre o casal. Naquela ocasião, Hiago disse que mataria Elisângela e a filha mais nova da vítima.

"No dia dessa agressão, ele falou que o pai dele viria para matar ela [adolescente] e a minha mãe. Aí ele foi embora, ela colocou as coisas dele para fora e ele foi. Mas depois voltou com aquela história de sempre: 'Eu te amo, me perdoa', e ela perdoou. Um tempo depois, eles foram casar no cartório — faz um mês e meio, mais ou menos, que se casaram, contou a filha mais velha da vítima.

Servidor público praticante de jiu-jitsu é preso suspeito de espancar namorada com socos e pontapésHomem que fez a ex e o filho reféns por mais de sete horas no interior de SP se entrega à políciaHomem é preso suspeito de agredir e quebrar dentes da companheira

Investigação

De acordo com a delegada responsável pelo caso Karina Fernandes Melo Santana, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o corpo de Elisângela apresentava pelo menos três ferimentos causados por faca, além de marcas de defesa, o que indica que ela tentou se proteger dos golpes.

Antes de ser liberado para o funeral, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). Hiago se apresentou à Delegacia de Polícia em Mirassol (SP) na tarde desta quinta-feira e foi encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São José do Rio Preto.

Antecedentes criminais

Conforme apurado pelo g1, Hiago já havia sido condenado pelo assassinato da ex-namorada, Fernanda Aparecida da Silva, em Pitangueiras (SP). O crime ocorreu no dia 3 de dezembro de 2016. O investigado havia deixado a cadeia há nove meses.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Hiago, à época com 22 anos, não aceitava o fim do relacionamento e, motivado por uma crise de ciúmes, atraiu a jovem para uma mata afastada da cidade, com o pretexto de que iriam acampar. Na ocasião do crime, o homem amarrou os braços e as pernas da vítima, vendou os olhos dela e a esfaqueou diversas vezes no peito.

Hiago se entregou à polícia no dia 4, mas foi ouvido e liberado, após o delegado considerar que não houve flagrante. O corpo de Fernanda foi encontrado no dia 6 de dezembro. No dia 8, o homem teve a prisão decretada.

VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Compartilhe
Rádio Pura Energia
No ar
Rádio Pura EnergiaEnergia que Contagia