O Brasil exportou US$ 9,3 bilhões a mais do que importou em outubro de 2026. Uma alta de quase 40% na comparação com o mesmo mês de 2025. De janeiro a outubro, a balança comercial brasileira acumula um superávit de US$ 71 bilhões - 34% a mais do que em 2025.
Dos 14 países que mais compram do Brasil, 13 aumentaram as importações em 2026.
Um produto brasileiro que vende bem lá fora: a soja. Uma empresa exportadora não reclama. Diz que até o calendário ajuda, porque o grão brasileiro é embarcado em um momento diferente do americano, o principal concorrente na produção. Os chineses são os que mais compram a nossa soja: ficam com quase 70%. Mas o mundo é grande.
“A China é a que faz grande diferença para o nosso mercado. Mas, sim, alguns mercados também vêm aumentando a demanda por produtos brasileiros, por grãos e outras commodities, carne, enfim. A gente tem bastante oportunidade mundo afora”, afirma Deise Cristina Bissoni, diretora de Finanças, Mercado e Marketing do Grupo Botuverá.
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É o que os números mostram. Colocando na balança, o Brasil está vendendo mais para quase todo mundo. De janeiro a outubro, o Brasil exportou US$ 321 bilhões, um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2025. Treze dos 14 países que mais importam produtos brasileiros aumentaram as compras em 2026 em relação a 2025. Inclusive os Estados Unidos, mesmo com o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.
Destaque para a Índia, que quase dobrou o valor importado do Brasil, por conta dos contratos de petróleo. Holanda, Itália e Turquia também compraram bem mais do Brasil, principalmente petróleo e soja. Ou seja, o Brasil achou mercado para extração recorde de petróleo e também pesou no resultado o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia.
"Mais do que olhar só para produtos isolados, as exportações brasileiras para a Europa estão crescendo, crescendo bastante em função do acordo do Mercosul", diz Allan Gallo, professor de Direito Internacional e Economia/ Mackenzie.
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A única exceção entre os principais parceiros foi a Argentina, que reduziu as importações em 17%. Consequência das medidas de ajuste na economia do país, dizem os especialistas.
“Se aquela população perde o poder de compra, e a Argentina também é um dos grandes parceiros econômicos brasileiros, a gente provavelmente vai ter problemas na hora de colocar os nossos produtos naquele mercado”, diz Miriam Vale, professora de Negócios Internacionais / Fecap.
Segundo analistas, o saldo positivo da balança comercial mostra que o Brasil vem de fato diversificando os mercados consumidores. Principalmente no caso das commodities, que são matérias-primas básicas no mundo todo. O que falta agora é ampliar a lista de produtos exportados.
“Mesmo vendendo mais e para mais países, e sendo isso um motivo para o país comemorar, o fato é que a gente continua vendendo as mesmas coisas. A grande questão do Brasil aqui agora não é simplesmente vender mais em produtos que o mercado internacional tenha necessidade - como no caso do petróleo por conta da guerra do Irã e o aumento do preço. Mas vender mais produtos com mais valor agregado. Não é deixar de vender o que a gente já vende, mas diversificar os produtos e colocar no seu portfólio de exportação produtos com valor maior”, afirma Allan Gallo.
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