O Dia das Bruxas é celebrado em 31 de outubro, mas, para o Catanduvense, a figura da bruxa vai muito além da data. A mascote do clube representa uma característica que acompanha a cidade de Catanduva há décadas: a fama de enfeitiçar quem passa por lá.
Em 2026, porém, o apelido ganhou um contraste com a realidade vivida pela equipe, que retornou ao futebol profissional após sete anos de inatividade e terminou a temporada marcada por goleadas históricas.
A história começa antes mesmo da fundação do clube. Catanduva, no interior de São Paulo, recebeu o apelido de Cidade do Feitiço no início da década de 1940. Uma das versões sobre a origem remonta a textos que exaltavam o poder de fascínio da cidade sobre seus visitantes. Entre os registros está um artigo escrito em 1943 pelo professor Geraldo Corrêa, que havia se mudado para a capital paulista para lecionar e expressou saudade da chamada Cidade Feitiço.
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A alcunha atravessou os anos e também chegou ao futebol. Na década seguinte, um time da cidade adotou o nome Clube Atlético Cidade do Feitiço, ajudando a perpetuar a associação entre Catanduva e a ideia de magia.
Foi nesse contexto que a bruxa se tornou um símbolo do Grêmio Catanduvense. Fundado em 8 de março de 1999, o clube incorporou a figura ao imaginário da equipe com a proposta de enfeitiçar os adversários, principalmente no estádio Silvio Salles, conhecido como o Caldeirão da Bruxa.
A trajetória do futebol catanduvense teve diferentes capítulos antes da formação do atual Grêmio. O clube que leva o nome da cidade conquistou espaço no cenário estadual a partir de meados dos anos 2000. Em 2006, foi vice-campeão da Bezinha do Campeonato Paulista, resultado que garantiu o acesso à Série A3. No ano seguinte, chegou à Série A2.
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O auge veio em 2011, quando a equipe conquistou o acesso à elite estadual para disputar o Paulistão de 2012. Naquele ano, enfrentou alguns dos principais clubes do país, conseguiu um empate por 1 a 1 com o Palmeiras e chegou a ficar à frente do Corinthians antes de sofrer a virada por 2 a 1. A campanha, no entanto, terminou com o rebaixamento.
Nos anos seguintes, o cenário se tornou mais difícil. Depois de sucessivas quedas de divisão, o Catanduvense chegou à última divisão do futebol paulista. Em 2019, ainda disputou a competição estadual, mas abandonou o torneio na terceira fase por falta de recursos financeiros. A partir daí, ficou fora das competições profissionais.
A retomada foi anunciada em 2022, com uma nova diretoria e o objetivo de reorganizar as finanças e recolocar a equipe em campo. O retorno às competições, porém, só aconteceu em 2026.
A volta da Bruxa aos gramados ficou longe do esperado. Na Bezinha do Campeonato Paulista, equivalente ao quinto nível estadual, o clube enfrentou dificuldades dentro e fora de campo e terminou a campanha sem conquistar pontos.
Foram dez derrotas em dez partidas, apenas quatro gols marcados e 66 sofridos, com saldo negativo de 62. O fim da participação foi especialmente doloroso: depois de perder por 13 a 0 para a Matonense, a equipe sofreu uma goleada por 17 a 0 diante do Independente de Limeira, encerrando a competição com 30 gols sofridos nas duas últimas rodadas.
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Os problemas também apareceram na formação da equipe. Em meio à crise, o Catanduvense entrou em campo com elencos incompletos, chegou a atuar com apenas nove jogadores e enfrentou dificuldades para manter uma estrutura competitiva ao longo do campeonato.
Assim, a temporada de retorno terminou com números muito distantes daqueles que levaram o clube à elite paulista pouco mais de uma década antes. A Bruxa, que nasceu da fama de uma cidade capaz de fascinar seus visitantes, teve em 2026 uma temporada de pesadelo, e agora carrega o desafio de reconstruir o futebol em Catanduva.
*Gabriéla Bandeiras colaborou sob supervisão de Arcílio Neto



