Notícia

Após denuncias de transfobia e abuso no Egito, defesa de Malévola vai acionar Itamaraty e entidades de direitos humanos

22/10/2026

Após denuncias de transfobia e abuso no Egito, defesa de Malévola vai acionar Itamaraty e entidades de direitos humanos

A defesa de Mariana Alves acionará o Itamaraty após denúncias de abuso policial no Egito. Ela e Bruna Mercatelli relataram transfobia na prisão.

As influenciadoras foram detidas na terça-feira (20) em Alexandria. As autoridades as acusaram de assediar pessoas e divulgar vídeos com gestos sexuais.

As brasileiras pagaram fiança e foram soltas na quarta-feira (21). O retorno ao Brasil ocorre nesta quinta-feira (22) em Guarulhos.

A defesa da influenciadora Mariana Alves, conhecida como Malévola, afirmou nesta quinta-feira (22) que vai acionar o Itamaraty e organismos internacionais de direitos humanos para apurar as denúncias de transfobia e abuso feitas por ela e pela amiga Bruna Mercatelli contra a polícia do Egito.

As duas influenciadoras brasileiras são mulheres trans e foram presas na terça-feira (20) em Alexandria por policiais egípcios sob a acusação de "comportamento obsceno".

Na quarta-feira (21), elas foram soltas após pagar fiança (algo em torno de R$ 2 mil a R$ 4 mil, na conversão para a moeda brasileira). Segundo seus advogados, a previsão é a de que Malévola e Bruna cheguem ao Brasil na noite desta quinta-feira (22) (saiba mais abaixo).

"A gente pretende acionar o Itamaraty para tomar as medidas cabíveis de forma diplomática, e dependendo até Comissão Internacional de Direitos Humanos, da pessoa LGBT e tudo mais", disse nesta quinta ao g1 o advogado Jonatha Carvalho Matos.

Ele quer que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e canais diplomáticos e internacionais investiguem as denúncias feitas por Malévola contra autoridades egípcias. O crime de transfobia existe no Brasil, mas não no Egito.

Malévola e Bruna foram detidas sob acusação de assediar pessoas nas ruas. A polícia local informou que as brasileiras gravaram e divulgaram vídeos considerados ofensivos e com gestos de cunho sexual em vias públicas.

O Egito tem leis contra "atos escandalosos" na rua e "publicação de material imoral".

'Fui muito humilhada', diz Malévola

Num vídeo postado em sua rede social nesta quinta-feira (22), Malévola chorou e afirmou que ela e Bruna foram presas e abusadas porque são transexuais.

"Eu fui muito humilhada, muito humilhada, muito humilhada. Muito humilhada, gente. Muito humilhada. Eu não paro de chorar desde a hora que eu cheguei aqui em Marrocos", diz Malévola na gravação. Ela tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram.

Em uma publicação, a influenciadora escreveu que os agentes teriam deixado claro que a detenção dela e da amiga ocorreu em razão de suas identidades de gênero. Malévola também relatou ter sofrido crises de ansiedade e pânico após o episódio.

Nas mensagens publicadas em seu Instagram, a influencer escreveu: "Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans" e que teve de "ficar pelada".

"E quando viram a minha vagina começaram a me tratar bem", relatou Malévola. Ela ainda postou que foi "abusada" com Bruna "por diversos policiais."

Celular de Malévola não foi devolvido

Segundo o advogado das brasileiras, o celular de Malévola acabou apreendido pelas autoridades egípcias e não foi devolvido.

"O telefone ficou apreendido. Eles não devolveram o telefone dela. Ela está voltando ao Brasil sem o telefone", afirmou Jonatha.

Depois de pagarem fiança e serem liberadas, as influencers devem desembarcar por volta das 22h30 desta quinta no Aeroporto Internacional em Guarulhos, Grande São Paulo.

Compartilhe
Rádio Pura Energia
No ar
Rádio Pura EnergiaEnergia que Contagia