Alunos protestaram nesta terça-feira (20) contra uma câmera escondida no banheiro feminino do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no Paraná.
A localização do aparelho ocorreu na segunda-feira (19). Estudantes relataram que a direção alegava há 3 anos que o equipamento era um sensor de fumaça.
A escola negou filmar as cabines. A Seed-PR informou que os aparelhos foram retirados e a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso.
Alunas do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, de Cambé, no Norte do Paraná, localizaram uma câmera escondida no banheiro feminino do local. Nesta terça-feira (20), os estudantes protestaram na entrada da escola para cobrar respostas da direção.
A descoberta aconteceu na segunda-feira (19), quando uma aluna decidiu olhar de perto um aparelho instalado na parede do banheiro e que emitia luz vermelha. Por trás do plástico, havia um dispositivo gravando imagens. Veja na imagem abaixo.
✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp
Um outro aluno fotografou o sistema de monitoramento do colégio e registrou como eram os vídeos captados, mostrando as cabines e espelhos do ambiente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Z/u/9Z7K6BRjuDVYoEe6YSlw/banheiro.jpg)
De acordo com o boletim de ocorrência, as alunas sabiam da existência de um equipamento no local há três anos. Entretanto, a direção havia dito, à época, que se tratava de um sensor de fumaça para evitar que estudantes fumassem no ambiente.
Ainda no boletim, as jovens relataram que usaram a área comum do banheiro recentemente e trocaram de roupa para uma sessão de fotografias, "o que significa que seus corpos e sua nudez foram indevidamente expostos e registrados sem qualquer consentimento", consta no documento.
À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, uma das alunas informou que a escola não avisou sobre as câmeras e que os responsáveis não assinaram nenhum termo que autorizasse as imagens no local.
"Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares", disse a estudante.
O colégio confirmou ter instalado aparelhos de monitoramento e negou captar imagens de dentro das cabines. Segundo a instituição, as câmeras "estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes". O colégio também afirmou que o estudante que registrou o painel de monitoramento acessou a sala de vigilância sem autorização. Confira a nota completa abaixo.
A Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (Seed-PR) informou que os equipamentos foram retirados e não há imagens armazenadas neles. O órgão informou que irá enviar equipe ao local para verificar a situação.
A Polícia Civil (PC-PR) informou que instaurou inquérito policial e está em diligências para apuração dos fatos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/f/4/kmFJzCSAyUa8KC6f2qiw/design-sem-nome-37-.jpg)
O que o colégio diz
"Prezados pais e responsáveis,
Circulou em alguns grupos uma imagem do sistema de monitoramento do colégio.
Esclarecemos que as câmeras mencionadas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Sua finalidade era acompanhar os acessos e contribuir para a segurança escolar.
Conforme as informações levantadas pela direção até o momento, um estudante entrou sem autorização na sala dos monitores militares e acessou o computador utilizado pela equipe, registrando a imagem posteriormente compartilhada. As circunstâncias desse acesso e da divulgação serão apuradas, preservando-se a identidade dos envolvidos.
Também foram registrados, nesta data, atos de vandalismo, com a retirada à força das câmeras dos acessos aos banheiros. O colégio adotará as medidas administrativas cabíveis e os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes, assegurando a apuração dos fatos e a escuta dos envolvidos.
Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, a dignidade e a privacidade dos estudantes. O monitoramento de salas de aula, corredores e acessos integra as medidas de proteção do ambiente escolar e deve respeitar esses direitos.
Pedimos às famílias que busquem esclarecimentos diretamente com a direção e evitem compartilhar imagens de segurança ou informações sem verificar seu contexto. Contamos com a parceria de todos na orientação dos estudantes sobre o respeito aos espaços de acesso restrito, aos equipamentos e ao patrimônio público".
O que a SEED diz
"O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina informa que, assim que tomou conhecimento da instalação de uma câmera no banheiro do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, orientou a direção sobre as providências, com atenção à privacidade e à segurança dos estudantes.
A escola informou que os equipamentos já foram retirados e que não há imagens armazenadas relacionadas a eles.
Uma equipe do NRE realizará visita in loco para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos.
A Seed-PR acompanha o caso e reforça que o monitoramento nas unidades escolares deve respeitar integralmente a privacidade, a dignidade e a segurança dos estudantes e de toda a comunidade escolar, assegurando a adoção das medidas cabíveis após a apuração dos fatos".
VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná

